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Eutanásia e retirada do corpo: autorização, termos e registros

Lucas Monteiro de Araújo Magalhães

A eutanásia só pode ser feita com consentimento livre e esclarecido do responsável, formalizado em termo próprio (Resolução CFMV nº 1.321/2020), salvo situações excepcionais. Com autorização documentada e as etapas seguidas, decisões do TJCE e do TJDFT afastaram a responsabilidade da clínica; a destinação do corpo também deve ser registrada em termo.

O termo de eutanásia

A Resolução CFMV nº 1.321/2020 define o termo de consentimento para eutanásia como documento a ser assinado pelo responsável pelo animal antes do procedimento:

Resolução CFMV nº 1.321/2020, art. 2º, XIX:

XIX - termo de consentimento livre e esclarecido para realização de eutanásia: documento a ser apresentado por médico-veterinário para assinatura do responsável pelo animal com o objetivo de formalizar a ciência e livre consentimento ou autorização para realização de eutanásia no animal;

O termo deve identificar o animal, o motivo clínico da indicação, a forma de realização e a declaração de que o tutor foi informado e consente. Ele integra o prontuário e deve ser feito em duas vias. A eutanásia é ato privativo de médico-veterinário e deve seguir as normas técnicas do CFMV sobre métodos.

O Código de Ética também exige consentimento formal para qualquer ato profissional, salvo risco iminente de morte ou incapacidade (art. 9º, VII).

O que os tribunais exigiram

Com a autorização documentada, a defesa é sólida. No TJCE, a autorização foi dada por mensagem de WhatsApp, a empresa provou ter seguido as etapas exigidas, e os autores, que deixaram o corpo meses na câmara fria, perderam a ação:

TJCE, 1ª Turma Recursal, Recurso Inominado Cível nº 3000115-37.2022.8.06.0072, Juiz Irandes Bastos Sales, julgado em 25/08/2023 favorável ao estabelecimento

Os tutores alegaram eutanásia indevida do cão. A Turma manteve a improcedência: a autorização foi dada pela tutora por mensagem de WhatsApp, a empresa provou ter seguido as cautelas e etapas exigidas para o procedimento e os autores deixaram o corpo por meses na câmara fria sem buscar informações.

Tese: Autorização da eutanásia comprovada por mensagem, com observância das etapas exigidas, afasta a falha do serviço.

Partes: Petshop Oliveira Ltda..

Inteiro teor: autdoc.tjce.jus.br

No TJDFT, a clínica obteve a reforma de condenação por danos morais porque não havia prova de erro nem de informação deficiente na eutanásia:

TJDFT, 6ª Turma Cível, Apelação Cível nº 0704078-67.2018.8.07.0010, Des. Esdras Neves, julgado em 12/06/2019 favorável ao estabelecimento

O tutor pediu indenização ligada à eutanásia do animal. A Turma deu provimento ao recurso da clínica e afastou a condenação por danos morais: mesmo na responsabilidade objetiva, é preciso provar conduta, dano e nexo, e não havia prova de erro médico nem de informação deficiente. Embargos de declaração posteriores foram rejeitados.

Tese: Sem prova de erro ou de falha de informação, a clínica não responde pela eutanásia realizada.

Partes: Clínica veterinária e tutor (nomes não constam da ementa).

Ementa: jurisdf.tjdft.jus.br

Mensagem de aplicativo pode servir de prova, mas não substitui o termo como boa prática. Sempre que possível, peça a assinatura do termo, ainda que digital, e registre no prontuário quem autorizou, quando e por qual meio.

O corpo: retirada, cremação e câmara fria

A resolução prevê termo específico para a retirada do corpo, que transfere ao responsável a posse e a destinação ambientalmente adequada do cadáver, e o atestado de óbito deve orientar sobre essa destinação (art. 8º, IV).

  • Informar as opções (retirada, cremação individual ou coletiva, sepultamento autorizado) e os custos de cada uma.
  • Registrar a escolha e o prazo de permanência na câmara fria.
  • Comunicar por escrito o vencimento desse prazo antes de dar destinação ao corpo.
  • Nunca condicionar a entrega do corpo ao pagamento da conta.

Esses cuidados evitam um tipo de conflito especialmente doloroso, em que a família descobre depois que o corpo foi descartado sem aviso.

Perguntas frequentes

Autorização por telefone vale para eutanásia? É prova frágil. Prefira termo assinado, ainda que digital, ou ao menos mensagem escrita que identifique o tutor, o animal e o procedimento.

Posso fazer eutanásia de animal abandonado na clínica? É situação delicada, que exige critérios técnicos e documentação rigorosa. Procure orientação antes de agir.

Quanto tempo posso manter o corpo na câmara fria? Não há prazo legal único. Defina o prazo no termo, comunique por escrito e registre.

Leia também

O outro lado: o que o tutor pode alegar


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Lucas Monteiro de Araújo Magalhães
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Lucas Monteiro de Araújo Magalhães, OAB/CE 49.312. Escritório Lucas Monteiro, Fortaleza/CE, atendimento em todo o Brasil. Atualizado em 21/10/2026.

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